O António Pedro tem trinta e quatro anos, mora em Matosinhos e é médico internista num hospital no centro do Porto. É casado e pai de dois, um rapaz e uma rapariga. Começou a usar a bicicleta na cidade há um ano, mais minuto, menos minuto, quando deixou de ter que fazer 120 quilómetros por dia.  Primeiro uma vez por semana, depois duas, agora quase sempre. Como quase todos de nós, começou a pedalar no Verão, para logo descobrir que no Inverno é que é bom. Gosta sobretudo de pedalar à noite, a altura do dia mais introspectiva e quando o bicho-carro normalmente já está a ronronar na sua garagem num qualquer subúrbio aborrecido. Não é que o animal o incomode muito, porque a convivência, não sendo a melhor, vai-se fazendo. “Não sei se sou um optimista incurável e quero muito ver mais e mais. Se calhar não, mas acho que andam por aí mais bicicletas. É isso, no parque do hospital andam de certeza”.

António Pedro is a 34 years old living in Matosinhos and working in Central Porto. He’s a doctor and father of two. António started bike commuting one year ago when stopped driving 120 km every day. In the beginning, only every now and then, no more than a couple of days a week and then but, gradually, he started using the bicycle every day. Like the most of us, Pedro has discovered that pedaling in winter is better than in summer and the nights are better than the days. Nothing beats an automobile-free night ride, safe from the heat and with most of the cars already parked at the suburbia. “Maybe I’m an incurable optimist and I’m seeing bikes where they don’t exist, but it seems there are much more of us out there, don’t you think?”

A nossa conversa foi-se desenrolando entre uma visita ao Biomercado no Mercado de Matosinhos, uma chávena de chá e uma ou outra visita à nossa loja. Se calhar por já ter um filtro para a conversa estéril em torno da problemática da bicicleta por essa Internet fora, o que me fez querer entrevistar o António Pedro e trazê-lo para a experiência “A Brompton Week” não foi tanto a sua rotina a pedalar, mas as suas partilhas de coisas relacionadas com a comida, em particular com a Dieta do Paleolítico. Um médico internista, homem da ciência e uma corrente a quem muitos não hesitam em colar o rótulo de pseudo-ciência. Queria saber mais, mas não estava à espera de fundamentalismos. Também não os encontrei. Encontrei uma pessoa que conseguiu chegar a um equilíbrio muito interessante, um pouco como o resto dos que por aqui têm passado. Claro que me lembrei logo do nosso bom amigo Pedro.

Our conversation happened in different days. We chatted during a visit to the organic grocer at the Matosinhos Fish Market Biomercado, having a cup of tea at a local cafe and in a couple of visits to our bike shop. I’m quite fed up with all the sterile cycling discussion on the Internet. What most interested me in António was not the way he uses a bike, but the things he shares related to food and the “paleo diet”. A doctor, a man of science following a ‘wave’ too many consider as pseudo-science. Interesting. I wanted to know more and found not a fundamentalist, but someone that managed to achieve a very interesting balance, something normal in our “A Brompton Week” participants. A bit as our good friend Pedro.

“A minha relação com a comida é um pouco complicada de explicar. Até há poucos anos atrás era um guloso sem grandes preocupações, mas com o bater dos trinta, senti-me mesmo em má forma e a juntar à festa, aconteceram-me algumas coisas que me puseram a pensar. A Dieta Paleo chamou-me a atenção e foi uma maneira de me pôr a reflectir no que estava a fazer mal e, de uma forma mais aberta, nas opções alimentares que existem. O açúcar, por exemplo… sinto muito mais energia e estabilidade sem açúcar. Começo a manhã de trabalho com muita disponibilidade e isso dura até à hora do almoço.  Apesar da minha preocupação nunca ter sido emagrecer, o que é certo é que isso aconteceu muito naturalmente. Foram seis ou sete quilos durante o período de transição.

Sem fundamentalismos e não entrando a fundo no Paleo, evito comer comida processada, doces e coisas pseudo-saudáveis. Deixei a maioria dos cereais e comecei a introduzir mais gorduras boas e proteínas. Há coisas para as quais somos educados e vai-se a ver e provavelmente está tudo errado. A comida saborosa e barata dá muito dinheiro. Os snacks pseudo-saudáveis dão muito lucro. Estes últimos são um dos grandes paradoxos da vida moderna, quase como pagar para pedalar entre quatro paredes.”

“For me, it’s a bit difficult talking about food. Just some few years ago I was a sweet tooth and didn’t put too much thought on the way bad food can harm our health. When turning 30 I was in a really bad shape and started thinking about my health and my future. The paleo diet kept my attention and was a good driver for change, a way to start thinking about food in a more open manner. Sugar was the first thing to go and I started immediately to feel much more energy during a working day. I was never worried about my weight but lost 6 or 7 kilos in this transition period.

Without being an extremist, I avoid eating processed food, sweets, and pseudo-healthy stuff. I’m not eating most of the cereals and I’m much more into the healthy fats and proteins. We are taught to eat a certain way but, in the end, everything is questionable. Pseudo-health food, for example, is a very profitable business. It’s one of modern life paradoxes, like paying a gym subscription to pedal indoors.”

Da alimentação a quase tudo o resto foi um tirinho. As conversas que fomos tendo denunciaram alguém que está, neste momento, num processo de mudança, procurando ajustar o quotidiano a novos paradigmas. “Este foi o ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre outras dimensões da vida, incluindo a forma como consumo, como me desloco na cidade, como me visto ou como me alimento. Há todo um universo de ideias e de hábitos que nos vão sendo impingidos lentamente e que, no fundo, não são bons.  Mudando a alimentação, percebi que posso mudar outras coisas, procurar sair das rotinas e deixar de estar acomodado. É tudo uma questão de mentalidade.”

After changing his diet, almost everything changed in Antonio’s life. The time we spent together showed someone in a transition period, trying to adjust his daily life to new paradigms. “This was the tipping point after which I made a profound reflection about other dimensions of my life, including the way I consume, dress and eat or the way I move in the city. There is a wide range of bad habits society imposes us from an early age which is not alright. Changing the way I eat, I discovered other things that can be changed too, if I’m willing to step out of my comfort zone. “

Apesar de termos tido a conversa a tocar nestes temas que nos são tão queridos, claro que também falámos sobre a Brompton. O entusiasmo do António Pedro foi muito evidente ao longo destes dias, tanto nas partilhas que foi fazendo nos social media, como na desenvoltura com que se apresentou a pedalar à chegada aos nossos encontros. Os elogios à extrema flexibilidade da bicicleta, a fiabilidade da mecânica, a forma como se adapta a um quotidiano em transição foram tema das conversas tidas com outros companheiros de estrada no parque do Hospital ou nos comentários às fotografias que foi partilhando. “Paradoxalmente, uma bicicleta como esta permite-me preocupar menos com a bicicleta. Cabe e fica bem dentro de casa, quando a outra ou fica mal pendurada nos arrumos ou cá fora solta. Esta é uma bicicleta verdadeiramente intermodal. A forma como dobra torna fácil o transporte, pôr e tirar do carro quando necessário, levar discretamente no metro e utilizar o elevador. Claro que quem anda todos os dias vai comparar sempre com uma bicicleta de roda grande. Naturalmente é mais nervosa, o que exige um certo cuidado e habituação, mas também tem uma maior agilidade. No conforto e na performance não notei diferença.”

Na altura em que fizemos a entrevista, tinha o seu carro à venda, talvez porque já não seja uma coisa tão fundamental na sua vida. Talvez porque tenha descoberto que pensando bicicleta, poderá estar a pensar em muitos tipos de mobilidade diferentes.

The humble bicycle is part of the change too and Antonio’s enthusiasm with our demo Brompton was very present every time we met and also in his social media sharing. The extreme flexibility allowed with such a compact folding bike, the mechanics, the reliability and the way it adapts to a lifestyle in transition were topics in conversations he had with colleagues and fellow commuters at the hospital car (and bike) park or online after sharing pictures of the bicycle. “It’s a paradox. A bicycle that allows me to be less concerned about bicycles. I store it in my flat, I can use the public transports and always chose the best commuting option at a given moment. It’s truly an intermodal vehicle. It’s a bit more nervous than a big wheel bicycle but more maneuverable. The comfort and the performance are very similar, though.”

Antonio was selling his car during this Brompton demo period. Maybe a car is not that important now. When “thinking bicycle”, António is thinking in many different ways of getting around.

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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“É tão pequena! Nunca pensei poder guardar uma bicicleta no quarto! De outra forma teria que a deixar na sala… era capaz de ser chato para os outros!” Este foi o comentário que o Miguel nos atirou logo no final de um dos primeiros dias a pedalar a Brompton que lhe emprestámos para a nossa experiência “A Brompton Week”.

“It’s so small, I can store it in my bedroom! Otherwise I would have to keep it in our living room. Not quite sure the other guys would enjoy!” This was Miguel’s first comment after one or two days riding a demo bike for our “A Brompton Week” experience. 

O Miguel tem vinte e quatro anos e veio de Coimbra para o Porto, que é para ele uma “cidade de carros”. Vive actualmente no coração da cidade, na Rua de Santa Catarina. Ainda estava a estudar na Faculdade de Ciências quando começou a trabalhar no Mafalda’s, aqui no Mercado de Matosinhos. “Tenho que fazer um estágio, mas só propuseram oportunidades não remuneradas e que obrigam a ter que andar de carro todos os dias, por isso decidi esperar e trabalhar noutros projectos”. Quem o vê a trabalhar, sempre com um ar discreto e profissional, não o imagina responsável por uma conta do Instagram com quase 45 mil seguidores, um projecto que o mantém ocupado já há alguns anos. “Quando aceitei vir ajudar a Inês e a Mafalda pensei que iria ter dificuldade em conciliar tudo, com o curso para acabar e as coisas com o Instagram cada vez mais exigentes, mas, acho que quanto mais ocupados estamos, melhor gerimos o tempo. Gostar do trabalho também ajuda, claro. Aqui somos todos muito amigos. Já o éramos antes de trabalharmos juntos, mas soubemos criar uma distância para funcionarmos como colegas, o que é fundamental para haver um bom nível de profissionalismo na equipa. Aos poucos vamos construindo um espírito muito bom”.

Miguel is a 24 years old from Coimbra, that arrived in Porto few years ago to study Science. Actually he’s living in Santa Catarina, probably the most central street in Central Porto. He was still studying when started working at Mafalda’s, a relaxed diner serving healthy meals here at the Matosinhos Fish Market. “I still need to spend some time in an internship, but I only got proposals for unpaid gigs in faraway places. That’s the reason I decided to wait and work in some other projects”. When one sees Miguel working, always looking sharp, but in an understated and very professional manner, probably wouldn’t imagine that he’s running a very successful Instagram project with almost 45k followers, this one here. “When I accepted Inês and Mafalda’s invitation, I  thought that it would be difficult to find all the time necessary to keep everything rolling smoothly, with University, the Instagram project and other stuff I’m doing. But I quickly learned that the busiest we are, the better we manage our time. This is true if you love your work so much as I do. Here at Mafalda’s we are all close friends. We were best mates before, but we manage to keep a distance and a healthy level of professionalism in our relationship. Day by day we are building a great team here!”

O Miguel começou a publicar no Instagram há três anos, fundamentalmente para partilhar fotografias das viagens que gosta de fazer. A paixão foi crescendo e as reacções dos seguidores começaram a ser cada vez mais positivas. Foi conhecendo as pessoas do meio e começou a evoluir, a investir em melhor material e cresceu até ao dia em que a sua conta foi recomendada pelo próprio Instagram. Chegou a ter dois mil novos utilizadores por dia e o sucesso levou-o até às páginas da GQ portuguesa.

“É uma conta sobre viagens. Um dia vou viver em Paris, é onde gosto sempre de voltar. As pessoas já começam a associar o meu Instagram à cidade. Algumas marcas começaram também a reconhecer isto e a investir. Quando recebi o primeiro contacto, fiquei admirado – Hei, isto agora é a sério!”. Primeiro um hotel no Porto, depois hotéis em Paris e mais recentemente o turismo dos Açores. “Sou uma pessoa simples e no início achei um bocado estranho ser chamado para isto. Este trabalho não é nada fútil ou superficial, ao contrário do que possa parecer. Há muito investimento de quem está envolvido. Alguém que segue contas como a minha pode ser levado a pensar que esta é, de facto, a vida de um instagramer, mas o que é transmitido aqui é muito mais virtual que real e é bastante trabalhoso criar estas imagens. Para as empresas é um investimento excelente. É uma comunidade muito fiel e focada e os custos são relativamente baixos para o impacto que as campanhas têm. Eu, por exemplo, quando viajo informo-me no Instagram primeiro. O Google só me vai dar as atracções genéricas do turismo de massas, mas na minha rede sei exactamente que recomendações seguir. Em Portugal investe-se pouco, mas, lá por fora, o sucesso de muitas grandes marcas começa em profissionais no Instagram. Claro que sei que tudo acaba por ter um fim e é por isso que muitas pessoas estão agora a criar projectos e presenças fora, noutras plataformas com mais autonomia, onde se possam mostrar às marcas de uma forma mais independente”.

Miguel started publishing on Instagram three years ago. He wanted to show the World some of his travelling memories. He became more and more interested and the positive reaction from his followers was very encouraging. Soon after creating the account, Miguel started meeting and getting along with some people “in the business” and upgraded his photography gear. The account got better and better and one day  he was recommended by Instagram itself. The account experienced a boom, growing more than 2k followers a day. GQ Portugal noticed this success and had him on the printed pages of the magazine. It was a sort of a peak, Miguel says. “This is an account about travelling. I know one day I will live in Paris. It’s the place where I like to come back over and over. People already make this connection between the city and my Instagram. Some brands also realized this and started investing. When I first got a contact I was very very surprised – wow! This is getting serious now!” Some hotels in Porto and Paris and even the Azores Tourism board invested in Miguel’s potential. “I’m a simple person and still think all this is a bit odd. But you know, this is not a futile or superficial job and there’s a lot of commitment and investment. Someone following folks like me can think that this is our life and things are exactly as in the pictures, but almost everything on Instagram is more virtual than real and one needs to put a lot of effort in creating all these wonderful images. Instagramers can be a great opportunity to companies willing to invest. This is a very focused and loyal community and promotion costs can be really small considering the results achieved. As an user, Instagram is one of my favourite tools – before traveling I always do my research within the community, avoiding all the mainstream mass market suggestions provided by Google. Portuguese companies are still very conservative and doesn’t consider instagramers the great channel to reach an audience that we actually are. Meanwhile, big global companies are getting amazing results with all these talented professionals. Thinking about the future, well, I know that everything has to have an end. That’s why almost everyone is starting side projects and creating an alternative and more independent presence in other platforms where brands can get to know their work.

A relação do Miguel com a bicicleta está também intimamente ligada às viagens. “Há sítios e sítios para pedalar. Há cidades de carros, como o Porto e Coimbra e há outras onde se notam grandes investimentos tendo em vista todos aqueles que preferem uma forma mais sustentável e saudável de se deslocar. Pedalar em Paris ou Londres é uma experiência completamente diferente da de pedalar no Porto. Aqui é tudo para os carros, já o era quando cheguei e continua a ser agora. Viste aquele anúncio que a Câmara fez com o novo sistema de semáforos? Vai melhorar a circulação dos carros, pelos vistos. E o resto das pessoas não interessam?”

Miguel’s experience with bikes in the city is fundamentally related with travelling. “There are good places to ride a bicycle and there are bad places to ride a bicycle. If in the one hand we have “car cities” like Porto or Coimbra, in the other hand we have cities that try very hard to be more friendly to those willing to commute in a more sustainable and healthy manner. Pedaling in Paris or London is a totally different experience than riding a bicycle in Central Porto. Here everything is about cars. It was this way when I first arrived and nothing has changed meanwhile. Did you hear about this project for the traffic lights? It will work wonderfully for cars. And how will that work for all of us that walk or cycle?

A sua “Brompton Week” foi assim marcada por alguns contrastes. “Confesso que no Porto faz-me confusão o trânsito e as pessoas, mas chego a Matosinhos e é completamente diferente. Mais calmo, mais organizado e muito fácil”. Curiosamente, para o Miguel, o “sweet spot” não está em cidades altamente bicivilizadas. “Amesterdão é mais difícil do que se pensa. As bicicletas circulam misturadas com os peões e com uma ordem e regras próprias que demoram a aprender. Gent, na Bélgica, pelo contrário, é um sítio excelente, onde é muito fácil e prático para os ciclistas. Também gostei de pedalar em Paris e do sistema deles de bicicletas partilhadas, até porque funciona muito bem para quem anda nos transportes públicos. É uma coisa que devia haver por cá. Lá pagamos uns dois euros por dia para pedalar numa cidade mais preparada e aqui um turista paga uma pequena fortuna para pedalar numa cidade que não quer saber de quem anda de bicicleta. Deve ser um excelente negócio, porque a cidade está cheia de turistas de bicicleta. Notei isso com a Brompton. As pessoas de cá olham para mim com indiferença, mas os estrangeiros olham muito para mim e para a bicicleta. As pessoas de cá olham para quem não vai de carro como se não estivéssemos ali. Mas isso vai mudar. É como em tudo. Tal como as marcas portuguesas que ainda apostam nos meios mais ultrapassados se vão acabar por evoluir, também a forma das pessoas se deslocarem vai acabar por se actualizar. Quer dizer, estou para aqui a falar, mas também não sou um grande ciclista. Normalmente ando a pé, que é o melhor para fotografar. Também ando de Metro, mas cá acaba por ser muito limitado, porque as linhas andam todas pelos mesmo sítios da cidade. A bicicleta pode ser uma boa solução.”

Miguel’s Brompton week was one of contrasts. “Okay, I confess. I normally walk, because walking is great for photography. Cycling in Porto can be a stressful experience, with all the traffic and packed streets, but everything is different here in Matosinhos, where things are calmer and more organized.” Maybe a bit surprising, he feels more comfortable riding in not highly infrastructured cities. “I think riding a bike in Amsterdam is much more difficult than one could imagine. Too many bikes riding along the pedestrians and  many unwritten rules to attend to. Ghent in Belgium, with a smaller scale, is a completely different thing. I also enjoyed the Paris bike sharing system. It’s very convenient for everyone, specially those using the public transports. We should have a proper bike sharing system here, where a tourist pays a small fortune to ride in a city where nobody cares about bicycles. It must be a good business, though, everywhere you go in the city you find tourists riding bikes. I notice when riding “my” Brompton a bigger openness and curiosity from foreigners. In Portugal you are nobody without a car, but that will change. Everything changes. One day the Portuguese companies will be much more open towards different ways of managing their communication and the way my fellow citizens commute will evolve too.”

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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“Sabes, esta minha área ainda é muito conservadora e eles não estavam a contar ver-me a entrar na reunião com uma bicicleta debaixo do braço.”

No mesmo dia em que entrevistámos o Mike, sentados no Mafalda’s, o Pedro estava na mesa ao lado. Esta coincidência fez com que a entrevista de um acabasse por também ser o prelúdio da do outro. O episódio, cada vez mais normal nas nossas cidades, mas ainda contado com uma gargalhada, foi o prato de entrada de uma conversa que acabámos por ter uns dias mais tarde no terraço do Lexo Coworking em Matosinhos, a casa onde o Pedro tem o seu escritório. Curiosamente, falámos muito de muitas coisas e pouco sobre bicicletas, se calhar porque estas são um já um aspecto banal dos nossos quotidianos pessoais.

“You know, I work in finance and this is still a very conservative world. They just weren’t expecting me carrying a bicycle to the meeting room.”

This episode, told with a big laugh at lunch, was a cheerful introduction to a conversation we had few days later at the Lexo Coworking, a cosy townhouse in Matosinhos where his office is located. We talked mostly of things not related with cycling because we know each other quite well and know exactly why we both use a bicycle almost every single day.

O Pedro, consultor financeiro independente, com quarenta e um anos e quatro filhos no cadastro, é o quarto entrevistado na nossa série “A Brompton Week”. É já um velho conhecido nosso, cliente da Velo Culture desde a primeira hora e, mais recentemente, o responsável por nos manter a “escrita” em dia. A história do Pedro tem muitos paralelismos com a nossa própria história e por isso a conversa fluiu de uma forma muito especial.

O Pedro nasceu na Nazaré e chegou ao Porto com dezoito anos, vindo de Santarém, para estudar Gestão. Ainda estava a estudar quando foi convidado para ir trabalhar para um banco holandês, onde o seu primeiro chefe lhe transmitiu uma das lições mais importantes da sua vida.

“Uma cabeça a mil não rende e é necessário saber gerir o tempo e tratarmos de nós próprios. Se trabalharmos das nove às cinco e formos eficientes, conseguimos ter uma segunda vida afastada do trabalho. Nesta área é fácil andar numa roda viva e devemos a nós próprios fazer um esforço para abrandar.”

Estava o mote dado para a conversa, que andou à volta de uma certa noção de equilíbrio.

Pedro, the fourth participant in our “A Brompton Week” experience, is a 41 years old with four children in the record. He’s a Velo Culture’s first hour customer and runs the small business now responsible for our book keeping. His history has many similarities with our own and, probably, that’s why our interview was so fluid. Pedro was raised in Santarém, a city not far from Nazaré, the surfing town a bit North from Lisbon where he was born. He was 18 when settled in Porto for a business management degree. Pedro was still an undergraduate when a Dutch bank invited him to join its ranks, a place where he learned one of the most important lessons of his life. His first boss, still a good friend, once told him that having one’s own time is vital. If you’re so busy that you can’t manage to have this time for yourself, you’re not being productive.

“We work from 8 to 5 and, if we manage to be productive, we can have another life away from work. In finance it’s very easy to have a very intense routine and this effort is important to keep our mental health”.

Ao fim de algum tempo, saiu do banco para assumir a direcção financeira de uma empresa familiar, de onde saiu ao fim de uma década para fazer várias especializações. Com as energias renovadas, ingressou numa empresa têxtil, para sair passados três meses, porque no fundo, nessa altura já sabia que queria ser o dono do seu tempo. Estávamos em 2012 e a partir desse momento deixou de sentir a necessidade de ter férias. Somos do mesmo vintage e as semelhanças não estão só no ano de abertura dos nossos negócios.

“Aprendi ao longo da vida que trabalhar para a qualidade não é o mesmo que trabalhar para o volume. A maioria dos meus colegas trabalha para o volume, eu estou focado na qualidade e em clientes que percebem a importância de um serviço com valor acrescentado, que assumem esta área como sendo verdadeiramente estratégica”.

Some few years after starting at the bank, Pedro left to become the CFO of a family-owned industrial enterprise. After a decade at this company, he decided to go back to school for a series of highly technical training courses, after which he started a new job at a textile company. By then he already knew that his future was being the master of his own time, and just three months after joining the company he left and kicked-off the the third part of his career as a free-lance consultant. It was 2012 and he never felt the need for a vacation again. As entrepreneurs and persons, we are from the same vintage and our similarities are much more than the year we both set up shop.

“In my career, I learned that working for quality is not the same as working for volume. Most of my colleagues work for the volume, but I work the other way around. My customers are willing to pay for a added value service, they understand that this is a truly strategical area.”

Hoje, a humilde bicicleta faz parte do quotidiano do Pedro. Chegou com a mudança que começou a ser construída em 2012, altura também em que também começou a praticar Yoga, um dos seus rituais sagrados.

“A minha relação com a vida tem vindo a evoluir. O trabalho físico, por exemplo, pode ter um efeito positivo, imediato e puro, mas, também pode ter um outro mais complexo e duradouro e que pode ser usado a meu favor no dia-a-dia. Uma espécie de estado de espírito. Para além do desporto, há várias outras coisas que são factores de equilíbrio, que podem ajudar a perpetuar esta sensação.

Entrei recentemente nos quarenta. A vida devia mesmo começar agora, tu também sabes isso! Há muita coisa que nesta altura ponho em perspectiva e, de certa forma, estou mais focado naquilo que eu acho que é essencial. Vivo num País bom, tenho um trabalho que me realiza, tempo para praticar desporto e dedicar-me à minha família. Até os hábitos alimentares mudei. Os vegetais e as frutas chegam-nos directamente do produtor. Todos os dias procuro almoços leves e caseiros, pouca carne, ou quase nenhuma. É por isso que sempre que posso venho almoçar ao Mafalda’s, mas, de vez em quando, também quebro as regras. Por exemplo, há uma sexta-feira por mês que almoço num restaurante da Baixa com um grupo de amigos. Passamos lá a tarde toda a comer e beber. É quase como um ritual.”

The humble bicycle is part of Pedro’s daily day and arrived some few years ago with a change in his lifestyle. Yoga, one of his most sacred rituals, is also part of this process.

“The way I live is always evolving. For example, I like the pure and immediate impact of the physical activity, but, I’m also expecting a more complex and lasting positive effect that can help me to cope with my daily life. A certain state of mind. Besides sports, there is a growing set of other things that helps balancing life and to wind-down. These things can help me to be in that state in an almost permanent way. 

I’m in my early forties. Man, you know, life should only start now! There are too many things I nowadays put into perspective. I’m much more focused in what really matters for me and mu family. I happen to live in a very good country, I love what I do for a living and have plenty of time for me and my family. Food, for example, is a very important thing in life and the way I eat nowadays is much more discerning. I only buy fruits and vegetables from the farmer and I try to have healthy lunches everyday, like the one’s at Mafalda’s. But I also try to have the other side, though. From time to time I go for a full English, both literally and figuratively. Every month I take an afternoon off to have lunch with some good friends. We spend the afternoon eating and drinking and we’ve been doing this for ages now.” 

“Há uns anos  comecei a olhar para a bicicleta como um objecto. O lado estético das coisas fascina-me. Quando comprei a minha primeira bicicleta de cidade, vivia mais perto da Foz e já tinha começado a trabalhar aqui em Matosinhos. Percebi logo que pedalar neste trajecto era o mais lógico e tinha a matéria prima comigo, uma bicicleta boa e bonita. Foi só uma questão de começar.

Sabe muito bem perceber que estou a contribuir para uma mudança sustentável, pois não acredito que a tecnologia possa ser a salvação para o planeta, pelo contrário. É que está tudo descansado à espera que a tecnologia nos venha salvar, mas isso não vai acontecer. Dou comigo a pensar frequentemente nestas questões. Passei dez anos a trabalhar no sector agro-químico, área em que se vê como as coisas realmente são feitas. A mudança tem que começar em cada um de nós.

Mas não é só por isso que ando de bicicleta. É que no fundo, sou o tipo de pessoa que gosta do vento na cara.”

“Some few years ago, I started looking to the bicycle as an object because I like the aesthetics of a good bike. I’m touched by a well designed object and I bought my first commuter bike, a very good looking one. By that time I was living not far away from Matosinhos. It was a short and easy commute and I realized that riding a bike to work was the most rational thing to do. I never stopped again.

All this changing of gears for a more slow and sustainable pace is very important. Every one of us should be contributing much more. Technology is more and more advanced, but it will not save us. It’s the other way around. We are all very relaxed, waiting for the day the tech folks will sort the things out. That’s not possible and will not happen. I think a lot in my kids future and it has a strong influence in my way of life. I spent 10 years of my working life in the agrochemical sector and I know how things are made.”

Nesta altura começámos a ficar curiosos, a tentar perceber como era gerida a rotina de bicicleta, com a escola dos filhos, os clientes e um trajecto diário da Rotunda da Boavista para Matosinhos.

“Quando vim morar para a Nossa Senhora de Fátima, o trajecto diário duplicou. Para além da distância, o trânsito também agora é muito maior. Ainda assim, persisti. Agora faço dezasseis quilómetros por dia, oito para cada lado e apenas interrompo este ritual quando é a minha vez de levar as crianças à escola ou tenho que ir a clientes fora do Porto, alturas em que uso o carro.

Foi aqui que a Brompton fez a diferença, porque permitiu ter o melhor de três mundos. Posso andar de bicicleta e, quando necessário, dobrá-la para a levar dobrada no carro ou no Metro. Nesta semana com a Brompton usei o carro apenas o estritamente necessário, usei o Metro como elevador nos dias mais pesados, dobrei a bicicleta e caminhei com ela para não a deixar na rua em sítios mais complicados. Mal o Rui Moreira sabe que, nos meus dias de levar os miúdos, passei a usar a cidade dele como estacionamento para vir a pedalar de Brompton para Matosinhos!”

At this point we became a bit curious. How is he managing the daily routine with the four kids, all the meetings with clients and a not very short bicycle commute?

When I moved to a more central area, my commuting distance just doubled. I now have to commute 16 kilometres everyday, with a much more heavy traffic. Nevertheless, I persisted. As before, I only use the car when it’s my turn to drop the children at school or I have to visit clients outside Porto, but the Brompton made a big difference on these days. I carried the Brompton with me in the Metro, which works quite well as an elevator from the sea level to Boavista. I carried the Brompton in the car boot and I brought it inside when visiting more dodgy areas. Please don’t tell Porto’s Mayor I’m using his city as a parking when’s my turn to drop the kids at school!”

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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“Encontrei o meu vizinho cá em baixo. Entrei no elevador e bem, sabes, é que ele ficou muito admirado por ver o antes e o cinco minutos depois, já lá em cima com a bicicleta dobrada.”

A Inês foi a terceira convidada para a nossa Brompton Week e esta semana foi a sua estreia de bicicleta no Porto. Esta pequena frase com que abrimos o texto, mostra um pouco daquilo que é uma conversa com a Inês, sempre cheia das pequenas anedotas do quotidiano.

Se costumas vir ao Mercado de Matosinhos, então a cara da Inês não te deve ser estranha, uma vez que ela é a responsável pelo dia-a-dia do nosso vizinho Manifesto. Para além dos dias à volta do café “de especialidade” e do quiosque, a Inês é também editora da NEVOAZUL, que se lê ‘névoa azul’, uma revista sobre menos e mais e um convite ao equilíbrio. Tem 27 anos e uma licenciatura em Ciências da Comunicação feita na Covilhã. Depois veio para o Porto fazer um mestrado e anda por cá desde então.

“One day I met my neighbour downstairs. Stepped in the elevator and, well, you know, he was very surprised to see the before and the five minutes after, when he found the bike folded at my doorstep”.

Inês was the third to complete our Brompton Week. This week was not just her first time riding a Brompton, but also the first time she hopped on a bike of any kind in Porto.

If you are a regular at the Matosinhos Market (where we have one of our stores), probably you will recognize Inês from Manifesto, where she keeps the coffee lab and kiosk running. Besides spending the day around specialty coffee and all sort of independent magazines, Inês is one of the editors of the bilingual magazine NEVOAZUL, which reads “Névoa Azul” and translates to “Blue Mist”. NEVOAZUL is “about less and more. An invitation to balance”. Inês is 27 and arrived in Porto few years ago, after completing a degree in journalism.

A nossa conversa sobre a semana com a Brompton andou sempre à volta da noção de Minimalismo e da sua forma de olhar a vida (e o consumo), algo que temos em comum.

A propósito de Tati, a Inês escreve que a tecnologia é “a velha falácia que nos faz comprar mais, preservar menos e substituir as relações humanas por máquinas num piscar de olhos”.

Também no mundo das bicicletas, este é o eterno paradoxo. É o veículo simples por excelência, mas o ponto central de um mercado onde se inova à bruta para estimular o consumo. Um mercado onde se gastam e investem milhões a cada temporada que passa. Curiosamente, o que nos atrai na bicicleta e aquilo que é essencial neste objecto genial, foi inventado há mais de cem anos. A forma “duplo-diamante” do quadro, a roda livre, a câmara de ar e o no-nonsense das soluções que persistem sempre, por muito que se procurem substitutos. É por isso que não somos pessoas de ir às grandes feiras internacionais, mas tentamos não falhar a peregrinação anual à Bespoked.

A Brompton é também um paradoxo. É encarada por muitos como um gadget. Cem por cento analógico, mas um gadget.  Algo que tanto pode ser um objecto de um desejo materialista e superficial, como pode ser uma verdadeira necessidade, algo insubstituível na rotina da pessoa urbana.

Our conversation about her Brompton Week was always around Minimalism and her way of life (and attitude towards consumption).

About Tati, Inês writes in the magazine that technology is “an old fallacy that makes us buy more, preserve less and replace human relationships with machines in a flash” 

In our industry, this is the eternal paradox. A bicycle is the simple vehicle by nature, but this is a market of hard innovation, where millions and millions are invested to foster more and more consumption. What we like in a bike is the opposite, though. Everything genius was invented more than 100 years ago. The double-diamond shape of the frame, the free-wheel, the inner-tube and the no-nonsense solutions that persist season after season. This is the reason for preferring our annual pilgrimage to Bespoked to wasting time and money in the big international trade shows.

Brompton is also a paradox. Many look at this simple bike as a gadget. 100% analogue, but a gadget. Something that, in one hand, can be the object of a materialist, superficial desire, and in the other hand can be an absolute necessity, something not replaceable in the daily routine of the city dweller.

Contudo, a marca faz a mesma coisa há quarenta anos e a noção de “temporada” é uma coisa com pouco sentido. A filosofia de “fazer uma coisa bem”, de inovação incremental, de melhorar um bocadinho de cada vez e de ser incontestavelmente o melhor naquilo que se faz. A Brompton está há quarenta anos, continuamente, a inventar uma bicicleta, para que esta possa ser a única que a maioria das pessoas precisam para a sua vida na cidade.

É neste ponto que começa a nossa conversa.

“Falando de outro filme do Tati, o Drive, eles vão levar um carro a uma exposição, acho que é uma autocaravana, cheia de truques, mas uma coisa muito complicada em que as coisas só quase que funcionam. Ainda não tinham chegado lá. Tudo funcionava só mais ou menos. Quando vi a Brompton, lembrei-me do filme, mas porque é a boa concretização. Há muita gente que tenta reinventar a roda, mas isso dá muito trabalho e pode demorar anos, só alguns é que chegam lá. A complexidade é uma ideia basilar do minimalismo. São necessários anos e anos de trabalho para se chegar a algo fundamentalmente simples.

O meu avô, pessoa muito interessada pelas coisas inteligentes, achou a Brompton espectacular. Só a viu através de uma fotografia que lhe mostrei, mas foi suficiente para me encher de perguntas. ‘Não é preciso nenhuma chave para ficar tão pequena? Isto para dar certo tem que estar mesmo muito bem feito.’

Logo no primeiro dia, quando entrei no autocarro, o motorista perguntou-me se isto que trazia era uma bicicleta. Passado um bocado disse-me lá da frente que precisava de uma para ele, para ir ao seu lado no autocarro. Quando me fui sentar, ficou a olhar, a ver o que é que eu fazia com a Brompton. Fui para um lugar normal, com a bicicleta ao meu lado, não precisei de ir para um sítio mais à larga ou de ir no meio. Ele passou uma boa parte do caminho a observar a bicicleta pelo espelho.”

Brompton is doing the same thing for the last 40 years and the notion of “season” doesn’t make much sense to the brand. The philosophy of “doing one thing right”, the obsession  of improving day after day, year after year and being the best in one’s field. Brompton spent the last 40 years inventing a bike, and this bike is the only that most of urban folks need.

Our conversation with Inês starts at this point.

“In another Tati movie, Drive, they are driving this car to be exhibited in a show. If I remember correctly, it’s a sort of motorhome with plenty of gadgets, but very complicated ones. Everything is almost right. They didn’t reach perfection yet.

When I first saw a Brompton, this movie came to my mind, because with this object they managed to finally get the result just right. There are lots of people trying to (re)invent the wheel, but it requires a enormous load of hard labour. Only a few, normally very persistent people, get to invent something perfect. You know, complexity is central in Minimalism. You need years and years of design and work to get to a point where you have a fundamentally simple result.

My grandpa is a very curious chap. He likes everything intelligently made. When he first sees the Brompton in a picture, he calls it a spectacular invention. “Are you serious? There’s no need of any tool to fold the bike?”

In my first day with the Brompton, when getting on the bus, the driver asks if this weird thing is a bicycle. Some few minutes later, he’s saying that he needs one to carry with him on the bus. His eyes follow me in the mirror on my way to find a seat. I choose a regular seat and lean the bicycle against my legs. He spends the rest of the trip staring at the bike.”

A Inês tem carta, mas não conduz um carro. O dia em que lhe entregámos a bicicleta, foi o primeiro em que saiu para a estrada no Porto. Na cidade, normalmente anda de autocarro, porque não gosta da ideia de estar presa a uma coisa como uma garagem. Contudo, o autocarro, ou o Metro, também não são aquilo que mais gosta.

“O autocarro parece uma continuação do dormir. Um não espaço, tempo perdido. Parece que só começo o dia quando chego ao destino. Com a bicicleta sinto que o dia começa logo quando saio de casa. O autocarro é porta-a-porta, mas com a bicicleta vejo a cidade, sinto o cheiro das coisas”.

Concordamos, claro. Viajando passivamente, limitados pelo espaço físico e pelo ritmo do trânsito, ficamos a olhar para a cidade como se estivéssemos a olhar para um ecrã.  Com a bicicleta, pelo contrário, a ligação é real e somos muito mais activos nesta relação. Até a nossa maior vulnerabilidade e as escolhas que fazemos para estarmos seguros tornam a experiência muito sensorial, porque estamos alerta e a absorver tudo o que se vai passando à nossa volta. Voltámos de novo à NEVOAZUL e a um texto sobre Kintsugi, a arte japonesa de transformar cerâmica partida em algo mais valioso, ao colar as diferentes partes com ouro. A bicicleta, especialmente uma tão integrável na nossa rotina como a Brompton, pode também ter este poder curativo, o de colar os cacos do dia, transformando-o em algo mais valioso e memorável. Um elogio à calma e aos pequenos prazeres da vida. Lembram-se como começámos o relato sobre a semana do Mike?

Inês has a driving licence, but doesn’t drive. The day we handed her a Brompton, was her first day facing Porto streets. Before having a bike in her life, she was a bus person, because she doesn’t like the idea of being stuck somewhere or having to own a sort of parking space. The bus, as the Metro, is not a perfect solution, though.

“The bus is like being still sleeping. Being in a void and wasting time. The day only starts upon arrival. With the bicycle I feel something different. The day starts the minute I step out from the house. The bus is door-to-door, but with the bike I see and feel the city. I smell things.”

We agree, of course. Travelling in a passive manner, limited in space and time, paced by the rhythm of other drivers and fellow passengers, is like staring at a screen. With the bike the connection is real and we have an active relation with our surroundings. Being more vulnerable, our choices to ride safely turn the commuting experience into something very very real. We are alert, absorbing everything happening around.

Back to NEVOAZUL and a text about Kintsugi, the Japanese art of transforming broken pottery into something much more valuable by gluing the broken parts with powdered gold. A bicycle, especially one so present in our urban routine such as a Brompton, can have this sort of healing power. Gluing the broken parts of the day with something of value. In praise of calm and the little pleasures of life. Remember Mike?

A dada altura, tropeçámos no 24 hours, 24 waves da Katte Geneta. Alguém como nós, que passou a vida toda ao lado do Atlântico, não pode ficar indiferente. As nossas melhores memórias em cima de uma bicicleta têm quase sempre o oceano como pano de fundo.

Mas a Inês não cresceu ao lado do mar. Curiosamente, a sua relação com as montanhas não é muito diferente, porque estas também estão sempre presentes para aqueles que  nasceram ao seu lado.

“Vinda da Guarda, do interior montanhoso, a chegada ao Porto foi muito marcada pela presença do mar. Mas, esta passou a ser muito mais forte no momento em que comecei a vir todos os dias para Matosinhos e ainda mais intensa quando comecei a usar a bicicleta.

Há muitas diferenças entre estar aqui e estar na Guarda. Cada viagem de três horas no autocarro é um momento de transição. Preparo-me para as montanhas, para um outro respirar e para um dia com um ritmo diferente.

Quando venho a pedalar, a descer a Boavista, consigo ter um bocadinho disto, uma pequena transição. A passagem pelo Parque da Cidade faz-me lembrar um bocadinho o estar na Guarda, mas com o cheiro a mar.”

At a certain point in the reading, we were amazed by Katte Geneta’s 24 hours, 24 waves. Everybody in our team was raised in Porto and we spent all our lives riding bikes with the Atlantic as a backdrop. We felt immediately connected. Inês wasn’t born close to the ocean. She was raised in the mountains and this also is something that one carries all life.

“Arriving from Guarda, my days in Porto are marked with the presence of the Atlantic. It’s always there, but became much more intense when I started commuting to Matosinhos.

Being here and in Guarda is very different. Each of the three hours trip back home is a transition. I get ready for the mountains, for a different way of breathing, to a completely different rhythm.

Back in Porto, when pedaling along the Parque da Cidade (a big park by the ocean), I feel a bit like being in Guarda, but with a much more salty atmosphere.”

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O Miguel, Mike para os “certos e determinados” amigos que nós somos, começou a sua “Brompton Week” ao mesmo tempo que a Rita.

Pegando antecipadamente nas palavras da Inês, rapariga que vão conhecer no próximo testemunho, mais do que um amante dos espaços abertos e das coisas boas da vida, o Mike é um “epicurista”. É um epicurista porque não é daquelas pessoas que anda a correr constantemente atrás dos prazeres, mas porque é alguém que procura um equilíbrio na alma que um dia lhe trará paz e sossego. É isso que sentimos quando estamos ao seu lado a trabalhar, ou sentados com ele no Mafalda’s a ter esta conversa. Foi também isso que sentimos quando há dois anos estivemos juntos em Londres, num apartamento estranhamente cheio de sol, a ouvir música e a falar sobre corridas, bicicletas e claro, comida.

Com trinta e nove anos e uma história de quase vinte ligada ao comércio, apanhámos o Mike numa fase de transição, acabado de emergir há poucos meses após sete anos a trabalhar enfiado na “mina”, que é o que chama ao centro comercial onde passou tempo suficiente para conhecer até ao mínimo detalhe as entranhas do monstro que é uma grande marca.

Muito antes disso, trabalhou numa loja de design de interiores e teve uma passagem de cinco anos pela Fnac.

Mike started his “Brompton Week” roughly at the same time as Rita.

Mike is more than an outdoor enthusiast that loves the good things in life. Choosing the wise words of our friend Inês, who will be featured in the next Brompton post, Mike is an “epicurist”, someone that is definitely not running after pleasures all the time, but someone searching for a certain equilibrium of the soul that one day will lead to peace and tranquility. This is precisely what we sense in him when seated by his side having this conversation at Mafalda’s. It’s the same impression we had a couple of years ago in a oddly sun bathed apartment in London, listening to music and talking about running, cycling and food.  

Having already lived thirty nine years, twenty of which working in retail, Mike is by the time of our interview in a transition period of his life. He spent the last seven years working in what he calls “The Mine”, a retailer in a big shopping mall where he got to know to the smallest of the details how a big brand corporate monster works.

Before this experience, Mike worked in a furniture shop  and for the french culture retail behemoth Fnac.

Foi na Fnac que conheceu alguém que acabaria por marcar o seu percurso, uma pessoa que, como ele, é apaixonada pela montanha e com quem começou a partir regularmente para desafios na natureza, que os levaram aos Pirinéus, a quatro mil metros de altura nos Alpes ou às ilhas Lofoten no Norte da Noruega. Estavam os dados lançados e o próximo passo foi mudar-se para os Pirinéus, onde trabalhou numa loja dedicada ao outdoor, para poder viver num sítio rodeado de montanhas.

Com uma parede de escalada à porta, a hora do almoço era ocupada com um ritual sagrado. Escalar, escalar, escalar. Duas horas inteirinhas. Para além disso, todos os dias ia correr para os trilhos. A viver na montanha atingiu o pico da sua forma física e mental. Quando regressou ao Porto três anos depois, foi então para a mina e foi demasiado rápido a encostar-se a uma rotina diferente. Já não estava no centro da acção.

It was at Fnac that he met a special friend, someone that also was a “great outdoors” type. A strong friendship started and leaded them to often hiking escapades to the Pyrenées mountains, to 4K peaks at the Alps or the Lofoten islands in Northern Norway. Returning home after each trip was becoming more and more difficult and the weekday mountain nostalgia leaded the duo to quit their jobs and start a three years gig at an outdoors retailer in the Pyrenées.

With a climbing wall at his doorsteps, Mike embraced a daily lunch-time ritual. Two whole hours of climbing, climbing and climbing. Living on the mountains, Mike was at his best. Everyday he went for a run in the trails, or a hike, or something else liberating. 

Um dia, o irmão ofereceu-lhe uma bicicleta. Pegou nela e foi de propósito a pedalar até ao trabalho para perceber se aquilo funcionaria para ele. Funcionou e bem. Na altura em que começou a pedalar para o trabalho, era muito activista e entusiasmado com a possibilidade de a sociedade mudar de paradigma. Não falhava um evento. Hoje, este activismo é feito a cada pedalada resoluta, a cada conversa tida, a cada dia sem pegar no carro.

Há uns quatro anos atrás, a bicicleta começou a despertar-lhe as mesmas sensações que só tinha conseguido viver na montanha. Não é uma coisa física, antes pelo contrário, mas também não é coisa fácil de se explicar. Por exemplo, quando pega na bicicleta de estrada que escolheu para si, peça a peça, pormenor a pormenor e a pedala com o bom pessoal do Arrasto, revive essas sensações. Pode pedalar duzentos quilómetros e o que fica não é a dor nas pernas, mas os pequenos momentos. Um reflexo no Douro ao nascer do dia, uma curva em contra-luz com os amigos a pedalar uns metros à frente, uma gargalhada partilhada pelo grupo.

A comida é também um elemento central na vida do Mike. Comer com companhia é um dos maiores prazeres que pode ter. Sair do trabalho ao final do dia e ir com a namorada beber um copo de vinho e comer pode salvar um dia. Claro que há uma relação entre a comida, as bicicletas e os amigos. O Mike é como o irmão e este é como o pai era. Ele é um cozinheiro fantástico e nada o deixa mais feliz do que grelhar o peixe que pescou nessa mesma manhã e partilhá-lo com os amigos. E o Mike estará sempre lá para o comer com ele, naturalmente.

One day, his brother gave him a bicycle. Mike rode it to work and it worked for him. Five years later, he’s still riding a bicycle everywhere he goes. By that time, Mike was very active in Porto’s urban cycling community. Today, his advocacy is made at every resolute revolution of the cranks, at every bit of conversation, at every car-free day.

A few years ago, Mike started to feel the same sensations with the bicycle that he had in the mountains. Nothing physical,but something deeper and not very easy to put into words. He has this feeling when riding his bespoke road bicycle, a timeless steel machine he planned part by part, spec by spec. He feels it when he rides along with the good lads at Arrasto. He can ride 200km and what he remembers in the aftermath is not the soared legs, but the small details of the ride. The exact moment the sun rises early in the morning, reflecting in the Douro, that weird curve he always rides with the sun in his face, the team pedaling and laughing few meters away.

Food is central in Mike’s life. Eating in the company of the special one is a simple, but great pleasure and something healing. Going out for food and wine with his girlfriend can save a bad day at the office. Food, cycling, friends, it makes all the sense. Mike is just like his brother is, and the brother is just like their late dad was. Nothing can beat barbecuing the morning catch for our friends.

Quando perguntámos como tinha sido a semana com a Brompton laranja, ele falou-nos da relação que tem com os objectos.

“Tenho uma relação emocional, pouco superficial, com o “touch and feel” de algumas coisas. As coisas muito bem feitas são sempre bonitas, tal como as boas bicicletas, tal como a Brompton. Orgulho-me das minhas duas bicicletas como me orgulhei ao pedalar nesta laranja. É que este mundo do ciclismo é carregado de mau gosto e consumismo e é importante mostrar este outro lado, mais sustentável, mais duradouro e mais ético.”

Antes da entrevista, o Mike escreveu-nos um texto sobre esta experiência e sobre como se sentiu a passar para o nível seguinte no que à mobilidade inteligente diz respeito.

“Roda de trás, roda da frente, guiador, espigão, pedal esquerdo. Vou integrando mentalmente o processo para dobrar a Brompton e entrar no Metro. Nesta altura descubro que há um antes e há um depois de se utilizar uma Brompton. Já tinha pedalado anteriormente numa Brompton, mas nunca tinha utilizado uma Brompton. Quero dar o devido ênfase ao verbo utilizar, porque foi mesmo isso que eu fiz com este objecto que, de ser tão simples, é brilhante.

Sempre considerei a minha bicicleta do dia a dia como uma ferramenta, mas a Brompton está no nível seguinte. É a ferramenta versão 2.0.”

When we asked about the Brompton Week, he talked about his connection with the well made things.

“I have a deep connection with some objects. A well designed, perfectly built and made to last object is always beautiful. Like a bespoke bicycle, like a Brompton. I’m proud of my bicycles and I felt proud riding this orange bike. This cycling world is fueled by bad taste and nonsensical consumerism. It’s very important to show this other side, more sustainable, more lasting, more ethical.”

Prior to our conversation, Mike wrote us a small text about the experience of riding a Brompton and how it allowed him to climb the “intelligent mobility” ladder.

“Back wheel, front wheel, handlebars, seat-post, left pedal. I’m mentally following the ritual of folding the Brompton to step in the Metro. By this time, I realize there is a before and an after of “using” a Brompton. I already had the opportunity to ride a Brompton before, but never have truly “used” it. At this point, I’d like to put some emphasis in the verb “to use”. Because it’s what I did with this bicycle which is, in its simplicity, one of the most brilliant things I’ve ever seen.  I’ve always considered my dutch style commuter a tool, but the Brompton is in a totally different level. It’s a 2.0 version of the tool, ant it’s brilliant.”

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“Entretanto, o Metro continua a encher e eu vou estranhamente tranquilo lá dentro. Estou relaxado e pela primeira vez em muito tempo não me sinto o elefante dentro da loja de porcelanas, que é o que acontece quando transporto a outra, a grande. Já tentaram entrar no Metro em hora de de ponta, com uma bicicleta tipo holandesa? É uma experiência única! Lê-se no olhar das pessoas “Não, não vais entrar”. E quando entras, provavelmente tens que começar a manobrar toda a gente à tua volta duas paragens antes de saíres.

Com a Brompton encostada à porta ou às minhas pernas, as pessoas olham com um misto de curiosidade e espanto para este pequeno “embrulho” de tubos, cabos e rodas.”

“Saio do Metro e pouso o embrulho no chão. Pedal, espigão, guiador, roda da frente e, por fim, o gentil “coice” que coloca a roda de trás no seu sítio. Arranco. Enquanto pedalo, apercebo-me da sua leveza e agilidade. Mais do que qualquer bicicleta que tenha pedalado, esta é uma extensão do meu corpo. A Brompton dá-me sempre vontade de ir pelo caminho mais longo, mais congestionado. Quando chego ao destino, dobro-a e entro onde tenho que entrar, simplesmente.

Num semáforo olho para uma montra e lembro-me de algo que me disseram. “Pareces um totó numa bicicleta de criança”. De facto há qualquer coisa de invulgar na proporção  entre o ciclista e a bicicleta quando estamos numa Brompton, mas não, não pareço um totó. Sou o único a arrancar e vou ser aquele que vai chegar a casa cedo.”

“Meanwhile, the Metro is getting full with my fellow commuters and I feel a strange peace of mind. For the first time I’m totally relaxed carrying a bicycle inside the train. I’m not the elephant in the China shop and i don’t need to draw an exit plan two stops prior to arriving at my destination. I keep the Brompton close to me, or folded by the door and everyone seems intrigued by this small pack of steel and rubber.”

“When leaving the train, I restart the process, but in reverse. “left pedal, seat-post, handlebars, front wheel, and ‘hop’, with a gentle kick, there goes the back wheel”. When pedaling, I notice the lightness and agility. More than any other bike, the Brompton is an extension of my own body. With the Brompton I’m not afraid of heading towards the busiest of the roads. Upon arrival, I quickly fold it and simply walk in. 

Stopped on a red light, I look at the shop window at my side and think in the words somebody said me early in the day. “You look like a bit weird riding a kids bike”. It’s a fact, there is something unusual in the proportions of a 16’’ wheeler,  but no, I definitely don’t look weird. I’m the first and only to move forward with the green light and probably the only one arriving home early.”

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Lê e acompanha os testemunhos “Brompton Week” aqui / Read and follow the “Brompton Week” posts here.

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“O patamar é pequeno, esta bate em todo o lado. Haha, venha a Brompton outra vez!”

Foi este o episódio que a Rita nos contou a abrir a nossa conversa depois da sua semana a experimentar uma das nossas Brompton de demonstração. Passou-se quando carregava a sua bicicleta até ao terceiro andar do prédio sem elevador no Centro do Porto, para onde se mudou recentemente.

Esta semana foi o resultado de um desafio que lhe lançámos e que também estamos a lançar a muitas outras pessoas: passar uma semana com uma Brompton e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

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“My bike is bumping everywhere! I need the Brompton back!”

This was Rita’s reaction when climbing with her vintage bike to the apartment on the third floor of a old building in Central Porto. This happened after spending one week with one of our demo Brompton.

This Brompton Week is an experience we are making with some of our customers. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

A Rita é uma designer de produto com 31 anos, que saiu aos dezoito de Castelo Branco directa para as Belas Artes em Lisboa. Até chegar ao Porto, passou por Granada, Washington D.C. e uma aldeia remota na Guatemala.

Antes de trabalhar naquilo que a trouxe ao Porto e a que chama de “design social”, fez coisas muito diversas, desde desenhar móveis de luxo, até livros de culinária portuguesa para bons garfos alemães. Mas, aquilo que ainda a deixa com um sorriso de orelha a orelha é a caneta foguetão que desenhou para a Kikkerland e que esteve à venda na loja do museu da Nasa.

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Rita is a 31 years old product designer from Castelo Branco, a small town in Central Portugal. Before arriving in Porto few months ago, she attended the Lisbon’s Fine Arts faculty and lived in Granada, Washington D.C. and in a remote village in Guatemala.

Before being what she calls a “social designer”, Rita add many different jobs, from imagining luxury furniture, to co-writing Portuguese cookery books for German foodies. Rita laughed when telling us about the rocket pen she designed for Kikkerland and was available at the Nasa museum shop.

No Porto, a Rita é a cara da Blindesign, uma organização que aspira ao estatuto de “empresa social” e que está envolvida em projectos como as colaborações com a Pão a Pão num restaurante que só emprega refugiados ou com a Tetra-Pack e a AFID na Revolta das Embalagens. O projecto mais recente e aquele que tem tirado o sono à Rita é a Dome, com a assinatura “Design Objects Meet Ethics”. Trata-se de uma “plataforma de confiança” para o consumo sustentável. A Dome será apresentada em breve e escusam de a ir procurar porque ainda não a vão encontrar.

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In Porto, Rita is the face behind Blindesign, an organization aspiring to (officially) be a “social enterprise”. Blindesign is involved in very cool stuff such as a restaurant only employing refugees to transforming old milk cartons in something useful. Blindesign’s most recent project is called Dome – Design Objects Meet Ethics. It’s yet to be presented and will be a trustworthy platform for sustainable shopping.

A narrativa pessoal da Rita nesta sua nova cidade consolida-se a cada trajecto feito de bicicleta. As idas e voltas são feitas com calma e com a preocupação normal de quem quer absorver as novidades que essa lhe apresenta diariamente. Uma espécie de flânerie acelerada, se é que isso existe.

“No Porto normalmente ando a pé ou de bicicleta. As vantagens são lógicas. A bicicleta é o meio de transporte mais inteligente, porque é rápido, divertido, limpo e dá para ver tudo.

Tanto numa bicicleta como a pé, o tempo de deslocação é também tempo de lazer, mas na bicicleta ficamos ainda mais ligados à cidade e conseguimos ir mais longe em menos tempo.

Na bicicleta vou sozinha e sempre concentrada no que se passa na rua, não me distraio com ecrãs ou solicitações de fora. Esta concentração, aliada à rapidez  da bicicleta, também permite um foco maior e uma escolha mais criteriosa da informação a absorver, não se deixando contudo de ouvir o que se passa à nossa volta. Nesta semana com a Brompton, por exemplo, ouvi muitas vezes “olha, é esta a bicicleta de que te falei, que se dobra e desdobra toda”.

Infelizmente, o Porto ainda tem muito que pedalar para ser uma cidade amiga das bicicletas. O principal problema é a falta de civismo e de sensibilização dos condutores, algo que sinto na minha rotina diária entre a zona onde vivo, perto das Belas Artes e a Rua do Rosário onde está a CRU, que é o sítio onde tenho o meu cantinho de trabalho.

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Rita’s personal story in Porto is being written after every ride with her bike. She is a fast flâneur, if such a thing exists.

“I usually walk or ride my bike in my daily routine in Porto. The bicycle is by far the most intelligent way of getting around. It’s fast, fun and clean.

When cycling, the commuting time is also leisure time and riding my bike I feel much more connected with the city. I’m alone and focused on what’s going on at the street level. I can choose where to focus my attention and listen to almost everything that’s happening around. Like the frequent “this is the bike I’ve been talking about to you!” comment. 

Porto still has a long way to go to be a cycle friendly city though. The drivers are still aggressive with cyclists! I feel this everyday when commuting from my apartment at the Belas Artes district to my desk at the super-cool Cru Cowork in the Bombarda area.

O meu primeiro contacto com a Brompton provocou-me um autêntico geek attack. Sou designer de produto e este é um produto muito bem desenhado. A forma como se monta e desmonta e tudo está no sítio certo impressiona. Conseguiram um sistema muito simples, rápido e funcional, que resultou numa coisa pouco maior que cada uma das pequeninas rodas. É brutal!

Durante esta semana, toda a minha rotina na cidade foi feita com a Brompton. De casa no Bonfim, ao trabalho perto de Miguel Bombarda, para ir para o yoga ou ir jantar ao final da tarde.

A Brompton foi dobradinha na mala do carro num passeio de fim-de-semana e foi a Matosinhos de metro, tendo regressado à noite de boleia. No metro foi sempre engraçado e a Brompton suscitou muita conversa. As crianças acham isto um bicho muito estranho!

O ponto alto da semana foi quando, já dominando a técnica do monta e desmonta, fiz uma demonstração ao José Pedro Gomes em plena Passos Manuel, ali pertinho do Sá da Bandeira onde ele tem andado em cena. E foi ele que veio ter comigo! É o efeito Brompton.

E agora, já posso ter a minha Brompton de volta?”

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All my geekiness emerged in the first contact with a Brompton. I’m a product designer, right? And this is a very very well designed product. The folding system is so smart! Such a simple, fast and effective way of folding a bike, resulting in something just a bit bigger than one of the tiny wheels!

I rode the Brompton all week. In my daily commute from Bonfim to Bombarda, to go to my yoga lesson, to ride to a restaurant after work. At the weekend the Brompton traveled folded in the car boot. Mid week we took the tram to an evening event in Matosinhos returning late at night in a friend’s car.

The funniest episode of the week was me doing a folding demonstration to a very famous Portuguese comedian in one of the most busy streets in Central Porto!

And now, can I have my Brompton back? Please?”

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