O António Pedro tem trinta e quatro anos, mora em Matosinhos e é médico internista num hospital no centro do Porto. É casado e pai de dois, um rapaz e uma rapariga. Começou a usar a bicicleta na cidade há um ano, mais minuto, menos minuto, quando deixou de ter que fazer 120 quilómetros por dia.  Primeiro uma vez por semana, depois duas, agora quase sempre. Como quase todos de nós, começou a pedalar no Verão, para logo descobrir que no Inverno é que é bom. Gosta sobretudo de pedalar à noite, a altura do dia mais introspectiva e quando o bicho-carro normalmente já está a ronronar na sua garagem num qualquer subúrbio aborrecido. Não é que o animal o incomode muito, porque a convivência, não sendo a melhor, vai-se fazendo. “Não sei se sou um optimista incurável e quero muito ver mais e mais. Se calhar não, mas acho que andam por aí mais bicicletas. É isso, no parque do hospital andam de certeza”.

António Pedro is a 34 years old living in Matosinhos and working in Central Porto. He’s a doctor and father of two. António started bike commuting one year ago when stopped driving 120 km every day. In the beginning, only every now and then, no more than a couple of days a week and then but, gradually, he started using the bicycle every day. Like the most of us, Pedro has discovered that pedaling in winter is better than in summer and the nights are better than the days. Nothing beats an automobile-free night ride, safe from the heat and with most of the cars already parked at the suburbia. “Maybe I’m an incurable optimist and I’m seeing bikes where they don’t exist, but it seems there are much more of us out there, don’t you think?”

A nossa conversa foi-se desenrolando entre uma visita ao Biomercado no Mercado de Matosinhos, uma chávena de chá e uma ou outra visita à nossa loja. Se calhar por já ter um filtro para a conversa estéril em torno da problemática da bicicleta por essa Internet fora, o que me fez querer entrevistar o António Pedro e trazê-lo para a experiência “A Brompton Week” não foi tanto a sua rotina a pedalar, mas as suas partilhas de coisas relacionadas com a comida, em particular com a Dieta do Paleolítico. Um médico internista, homem da ciência e uma corrente a quem muitos não hesitam em colar o rótulo de pseudo-ciência. Queria saber mais, mas não estava à espera de fundamentalismos. Também não os encontrei. Encontrei uma pessoa que conseguiu chegar a um equilíbrio muito interessante, um pouco como o resto dos que por aqui têm passado. Claro que me lembrei logo do nosso bom amigo Pedro.

Our conversation happened in different days. We chatted during a visit to the organic grocer at the Matosinhos Fish Market Biomercado, having a cup of tea at a local cafe and in a couple of visits to our bike shop. I’m quite fed up with all the sterile cycling discussion on the Internet. What most interested me in António was not the way he uses a bike, but the things he shares related to food and the “paleo diet”. A doctor, a man of science following a ‘wave’ too many consider as pseudo-science. Interesting. I wanted to know more and found not a fundamentalist, but someone that managed to achieve a very interesting balance, something normal in our “A Brompton Week” participants. A bit as our good friend Pedro.

“A minha relação com a comida é um pouco complicada de explicar. Até há poucos anos atrás era um guloso sem grandes preocupações, mas com o bater dos trinta, senti-me mesmo em má forma e a juntar à festa, aconteceram-me algumas coisas que me puseram a pensar. A Dieta Paleo chamou-me a atenção e foi uma maneira de me pôr a reflectir no que estava a fazer mal e, de uma forma mais aberta, nas opções alimentares que existem. O açúcar, por exemplo… sinto muito mais energia e estabilidade sem açúcar. Começo a manhã de trabalho com muita disponibilidade e isso dura até à hora do almoço.  Apesar da minha preocupação nunca ter sido emagrecer, o que é certo é que isso aconteceu muito naturalmente. Foram seis ou sete quilos durante o período de transição.

Sem fundamentalismos e não entrando a fundo no Paleo, evito comer comida processada, doces e coisas pseudo-saudáveis. Deixei a maioria dos cereais e comecei a introduzir mais gorduras boas e proteínas. Há coisas para as quais somos educados e vai-se a ver e provavelmente está tudo errado. A comida saborosa e barata dá muito dinheiro. Os snacks pseudo-saudáveis dão muito lucro. Estes últimos são um dos grandes paradoxos da vida moderna, quase como pagar para pedalar entre quatro paredes.”

“For me, it’s a bit difficult talking about food. Just some few years ago I was a sweet tooth and didn’t put too much thought on the way bad food can harm our health. When turning 30 I was in a really bad shape and started thinking about my health and my future. The paleo diet kept my attention and was a good driver for change, a way to start thinking about food in a more open manner. Sugar was the first thing to go and I started immediately to feel much more energy during a working day. I was never worried about my weight but lost 6 or 7 kilos in this transition period.

Without being an extremist, I avoid eating processed food, sweets, and pseudo-healthy stuff. I’m not eating most of the cereals and I’m much more into the healthy fats and proteins. We are taught to eat a certain way but, in the end, everything is questionable. Pseudo-health food, for example, is a very profitable business. It’s one of modern life paradoxes, like paying a gym subscription to pedal indoors.”

Da alimentação a quase tudo o resto foi um tirinho. As conversas que fomos tendo denunciaram alguém que está, neste momento, num processo de mudança, procurando ajustar o quotidiano a novos paradigmas. “Este foi o ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre outras dimensões da vida, incluindo a forma como consumo, como me desloco na cidade, como me visto ou como me alimento. Há todo um universo de ideias e de hábitos que nos vão sendo impingidos lentamente e que, no fundo, não são bons.  Mudando a alimentação, percebi que posso mudar outras coisas, procurar sair das rotinas e deixar de estar acomodado. É tudo uma questão de mentalidade.”

After changing his diet, almost everything changed in Antonio’s life. The time we spent together showed someone in a transition period, trying to adjust his daily life to new paradigms. “This was the tipping point after which I made a profound reflection about other dimensions of my life, including the way I consume, dress and eat or the way I move in the city. There is a wide range of bad habits society imposes us from an early age which is not alright. Changing the way I eat, I discovered other things that can be changed too, if I’m willing to step out of my comfort zone. “

Apesar de termos tido a conversa a tocar nestes temas que nos são tão queridos, claro que também falámos sobre a Brompton. O entusiasmo do António Pedro foi muito evidente ao longo destes dias, tanto nas partilhas que foi fazendo nos social media, como na desenvoltura com que se apresentou a pedalar à chegada aos nossos encontros. Os elogios à extrema flexibilidade da bicicleta, a fiabilidade da mecânica, a forma como se adapta a um quotidiano em transição foram tema das conversas tidas com outros companheiros de estrada no parque do Hospital ou nos comentários às fotografias que foi partilhando. “Paradoxalmente, uma bicicleta como esta permite-me preocupar menos com a bicicleta. Cabe e fica bem dentro de casa, quando a outra ou fica mal pendurada nos arrumos ou cá fora solta. Esta é uma bicicleta verdadeiramente intermodal. A forma como dobra torna fácil o transporte, pôr e tirar do carro quando necessário, levar discretamente no metro e utilizar o elevador. Claro que quem anda todos os dias vai comparar sempre com uma bicicleta de roda grande. Naturalmente é mais nervosa, o que exige um certo cuidado e habituação, mas também tem uma maior agilidade. No conforto e na performance não notei diferença.”

Na altura em que fizemos a entrevista, tinha o seu carro à venda, talvez porque já não seja uma coisa tão fundamental na sua vida. Talvez porque tenha descoberto que pensando bicicleta, poderá estar a pensar em muitos tipos de mobilidade diferentes.

The humble bicycle is part of the change too and Antonio’s enthusiasm with our demo Brompton was very present every time we met and also in his social media sharing. The extreme flexibility allowed with such a compact folding bike, the mechanics, the reliability and the way it adapts to a lifestyle in transition were topics in conversations he had with colleagues and fellow commuters at the hospital car (and bike) park or online after sharing pictures of the bicycle. “It’s a paradox. A bicycle that allows me to be less concerned about bicycles. I store it in my flat, I can use the public transports and always chose the best commuting option at a given moment. It’s truly an intermodal vehicle. It’s a bit more nervous than a big wheel bicycle but more maneuverable. The comfort and the performance are very similar, though.”

Antonio was selling his car during this Brompton demo period. Maybe a car is not that important now. When “thinking bicycle”, António is thinking in many different ways of getting around.

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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Ciclista experimente no monte, ciclista experiente na estrada, venham agora as ruas da cidade. O Rui veio à Megastore do Palácio apanhar a sua nova companheira nas deslocações do dia-a-dia.

A bicicleta é uma single speed Foffa com manetes de travão invertidas da OR8.

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Rui is an experienced road and mountain cyclist and decided to give a go to this bicycle commuting thing. His new ride is a Foffa single speed. 

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“É tão pequena! Nunca pensei poder guardar uma bicicleta no quarto! De outra forma teria que a deixar na sala… era capaz de ser chato para os outros!” Este foi o comentário que o Miguel nos atirou logo no final de um dos primeiros dias a pedalar a Brompton que lhe emprestámos para a nossa experiência “A Brompton Week”.

“It’s so small, I can store it in my bedroom! Otherwise I would have to keep it in our living room. Not quite sure the other guys would enjoy!” This was Miguel’s first comment after one or two days riding a demo bike for our “A Brompton Week” experience. 

O Miguel tem vinte e quatro anos e veio de Coimbra para o Porto, que é para ele uma “cidade de carros”. Vive actualmente no coração da cidade, na Rua de Santa Catarina. Ainda estava a estudar na Faculdade de Ciências quando começou a trabalhar no Mafalda’s, aqui no Mercado de Matosinhos. “Tenho que fazer um estágio, mas só propuseram oportunidades não remuneradas e que obrigam a ter que andar de carro todos os dias, por isso decidi esperar e trabalhar noutros projectos”. Quem o vê a trabalhar, sempre com um ar discreto e profissional, não o imagina responsável por uma conta do Instagram com quase 45 mil seguidores, um projecto que o mantém ocupado já há alguns anos. “Quando aceitei vir ajudar a Inês e a Mafalda pensei que iria ter dificuldade em conciliar tudo, com o curso para acabar e as coisas com o Instagram cada vez mais exigentes, mas, acho que quanto mais ocupados estamos, melhor gerimos o tempo. Gostar do trabalho também ajuda, claro. Aqui somos todos muito amigos. Já o éramos antes de trabalharmos juntos, mas soubemos criar uma distância para funcionarmos como colegas, o que é fundamental para haver um bom nível de profissionalismo na equipa. Aos poucos vamos construindo um espírito muito bom”.

Miguel is a 24 years old from Coimbra, that arrived in Porto few years ago to study Science. Actually he’s living in Santa Catarina, probably the most central street in Central Porto. He was still studying when started working at Mafalda’s, a relaxed diner serving healthy meals here at the Matosinhos Fish Market. “I still need to spend some time in an internship, but I only got proposals for unpaid gigs in faraway places. That’s the reason I decided to wait and work in some other projects”. When one sees Miguel working, always looking sharp, but in an understated and very professional manner, probably wouldn’t imagine that he’s running a very successful Instagram project with almost 45k followers, this one here. “When I accepted Inês and Mafalda’s invitation, I  thought that it would be difficult to find all the time necessary to keep everything rolling smoothly, with University, the Instagram project and other stuff I’m doing. But I quickly learned that the busiest we are, the better we manage our time. This is true if you love your work so much as I do. Here at Mafalda’s we are all close friends. We were best mates before, but we manage to keep a distance and a healthy level of professionalism in our relationship. Day by day we are building a great team here!”

O Miguel começou a publicar no Instagram há três anos, fundamentalmente para partilhar fotografias das viagens que gosta de fazer. A paixão foi crescendo e as reacções dos seguidores começaram a ser cada vez mais positivas. Foi conhecendo as pessoas do meio e começou a evoluir, a investir em melhor material e cresceu até ao dia em que a sua conta foi recomendada pelo próprio Instagram. Chegou a ter dois mil novos utilizadores por dia e o sucesso levou-o até às páginas da GQ portuguesa.

“É uma conta sobre viagens. Um dia vou viver em Paris, é onde gosto sempre de voltar. As pessoas já começam a associar o meu Instagram à cidade. Algumas marcas começaram também a reconhecer isto e a investir. Quando recebi o primeiro contacto, fiquei admirado – Hei, isto agora é a sério!”. Primeiro um hotel no Porto, depois hotéis em Paris e mais recentemente o turismo dos Açores. “Sou uma pessoa simples e no início achei um bocado estranho ser chamado para isto. Este trabalho não é nada fútil ou superficial, ao contrário do que possa parecer. Há muito investimento de quem está envolvido. Alguém que segue contas como a minha pode ser levado a pensar que esta é, de facto, a vida de um instagramer, mas o que é transmitido aqui é muito mais virtual que real e é bastante trabalhoso criar estas imagens. Para as empresas é um investimento excelente. É uma comunidade muito fiel e focada e os custos são relativamente baixos para o impacto que as campanhas têm. Eu, por exemplo, quando viajo informo-me no Instagram primeiro. O Google só me vai dar as atracções genéricas do turismo de massas, mas na minha rede sei exactamente que recomendações seguir. Em Portugal investe-se pouco, mas, lá por fora, o sucesso de muitas grandes marcas começa em profissionais no Instagram. Claro que sei que tudo acaba por ter um fim e é por isso que muitas pessoas estão agora a criar projectos e presenças fora, noutras plataformas com mais autonomia, onde se possam mostrar às marcas de uma forma mais independente”.

Miguel started publishing on Instagram three years ago. He wanted to show the World some of his travelling memories. He became more and more interested and the positive reaction from his followers was very encouraging. Soon after creating the account, Miguel started meeting and getting along with some people “in the business” and upgraded his photography gear. The account got better and better and one day  he was recommended by Instagram itself. The account experienced a boom, growing more than 2k followers a day. GQ Portugal noticed this success and had him on the printed pages of the magazine. It was a sort of a peak, Miguel says. “This is an account about travelling. I know one day I will live in Paris. It’s the place where I like to come back over and over. People already make this connection between the city and my Instagram. Some brands also realized this and started investing. When I first got a contact I was very very surprised – wow! This is getting serious now!” Some hotels in Porto and Paris and even the Azores Tourism board invested in Miguel’s potential. “I’m a simple person and still think all this is a bit odd. But you know, this is not a futile or superficial job and there’s a lot of commitment and investment. Someone following folks like me can think that this is our life and things are exactly as in the pictures, but almost everything on Instagram is more virtual than real and one needs to put a lot of effort in creating all these wonderful images. Instagramers can be a great opportunity to companies willing to invest. This is a very focused and loyal community and promotion costs can be really small considering the results achieved. As an user, Instagram is one of my favourite tools – before traveling I always do my research within the community, avoiding all the mainstream mass market suggestions provided by Google. Portuguese companies are still very conservative and doesn’t consider instagramers the great channel to reach an audience that we actually are. Meanwhile, big global companies are getting amazing results with all these talented professionals. Thinking about the future, well, I know that everything has to have an end. That’s why almost everyone is starting side projects and creating an alternative and more independent presence in other platforms where brands can get to know their work.

A relação do Miguel com a bicicleta está também intimamente ligada às viagens. “Há sítios e sítios para pedalar. Há cidades de carros, como o Porto e Coimbra e há outras onde se notam grandes investimentos tendo em vista todos aqueles que preferem uma forma mais sustentável e saudável de se deslocar. Pedalar em Paris ou Londres é uma experiência completamente diferente da de pedalar no Porto. Aqui é tudo para os carros, já o era quando cheguei e continua a ser agora. Viste aquele anúncio que a Câmara fez com o novo sistema de semáforos? Vai melhorar a circulação dos carros, pelos vistos. E o resto das pessoas não interessam?”

Miguel’s experience with bikes in the city is fundamentally related with travelling. “There are good places to ride a bicycle and there are bad places to ride a bicycle. If in the one hand we have “car cities” like Porto or Coimbra, in the other hand we have cities that try very hard to be more friendly to those willing to commute in a more sustainable and healthy manner. Pedaling in Paris or London is a totally different experience than riding a bicycle in Central Porto. Here everything is about cars. It was this way when I first arrived and nothing has changed meanwhile. Did you hear about this project for the traffic lights? It will work wonderfully for cars. And how will that work for all of us that walk or cycle?

A sua “Brompton Week” foi assim marcada por alguns contrastes. “Confesso que no Porto faz-me confusão o trânsito e as pessoas, mas chego a Matosinhos e é completamente diferente. Mais calmo, mais organizado e muito fácil”. Curiosamente, para o Miguel, o “sweet spot” não está em cidades altamente bicivilizadas. “Amesterdão é mais difícil do que se pensa. As bicicletas circulam misturadas com os peões e com uma ordem e regras próprias que demoram a aprender. Gent, na Bélgica, pelo contrário, é um sítio excelente, onde é muito fácil e prático para os ciclistas. Também gostei de pedalar em Paris e do sistema deles de bicicletas partilhadas, até porque funciona muito bem para quem anda nos transportes públicos. É uma coisa que devia haver por cá. Lá pagamos uns dois euros por dia para pedalar numa cidade mais preparada e aqui um turista paga uma pequena fortuna para pedalar numa cidade que não quer saber de quem anda de bicicleta. Deve ser um excelente negócio, porque a cidade está cheia de turistas de bicicleta. Notei isso com a Brompton. As pessoas de cá olham para mim com indiferença, mas os estrangeiros olham muito para mim e para a bicicleta. As pessoas de cá olham para quem não vai de carro como se não estivéssemos ali. Mas isso vai mudar. É como em tudo. Tal como as marcas portuguesas que ainda apostam nos meios mais ultrapassados se vão acabar por evoluir, também a forma das pessoas se deslocarem vai acabar por se actualizar. Quer dizer, estou para aqui a falar, mas também não sou um grande ciclista. Normalmente ando a pé, que é o melhor para fotografar. Também ando de Metro, mas cá acaba por ser muito limitado, porque as linhas andam todas pelos mesmo sítios da cidade. A bicicleta pode ser uma boa solução.”

Miguel’s Brompton week was one of contrasts. “Okay, I confess. I normally walk, because walking is great for photography. Cycling in Porto can be a stressful experience, with all the traffic and packed streets, but everything is different here in Matosinhos, where things are calmer and more organized.” Maybe a bit surprising, he feels more comfortable riding in not highly infrastructured cities. “I think riding a bike in Amsterdam is much more difficult than one could imagine. Too many bikes riding along the pedestrians and  many unwritten rules to attend to. Ghent in Belgium, with a smaller scale, is a completely different thing. I also enjoyed the Paris bike sharing system. It’s very convenient for everyone, specially those using the public transports. We should have a proper bike sharing system here, where a tourist pays a small fortune to ride in a city where nobody cares about bicycles. It must be a good business, though, everywhere you go in the city you find tourists riding bikes. I notice when riding “my” Brompton a bigger openness and curiosity from foreigners. In Portugal you are nobody without a car, but that will change. Everything changes. One day the Portuguese companies will be much more open towards different ways of managing their communication and the way my fellow citizens commute will evolve too.”

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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Esta estradeira chegou-nos às mãos há umas semanas atrás “para se ver o que era possível fazer”.

A bicicleta, com decalques “México”, veio de França. Não é uma icónica Colnago México, mas ainda assim está muito bem equipada. Com tubos Reynolds 531, um grupo completo Campagnolo e um cockpit Cinelli, veio em muito mau estado e o seu aspecto à chegada à oficina não era mesmo nada encorajador. Olhando para o resultado final, parece inacreditável que se tenha chegado a ponderar substituir a generalidade das peças, incluindo parte da transmissão e os cubos , já que dos originais só veio o traseiro.

Sendo esta uma bicicleta para ser usada, chegámos a ter muitas peças de substituição orçamentadas, mas depois de uma limpeza a fundo das camadas e camadas de lixo que cobriam a bicicleta, descobrimos que estava tudo num estado bastante razoável. Felizmente, o cliente também conseguiu encontrar numa caixa o cubo frontal Campagnolo original.

O Edu passou umas horas valentes a limpar e a lubrificar peça a peça. Já que se desmontou tudo, aproveitámos para repintar o quadro no laranja metalizado original, com um resultado muito bonito.

A única alteração significativa foi a substituição dos aros e pneus tubulares por uns novos clincher com pneus Panaracer Pasela, uns favoritos aqui dos duendes. Os cubos originais estão a funcionar na perfeição.  Houve ainda um certo compromisso entre a estética e o conforto na escolha das fitas de guiador, tendo-se optado por umas Deda de espuma. O selim é um Brooks B17 Narrow do cliente e consumíveis como calços, cabos e espirais são todos novos.

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We recently had in our Matosinhos worshop this orange racer for a complete restoration. Built with Reynolds 531 tubing, a complete Campagnolo group set and Cinelli cockpit, the bicycle was in a quite bad condition.

Our first idea was to replace part of the components, but, after cleaning the first layers of dirt, we found everything in a very reasonable state. Edu spent many hours cleaning, lubing and reassembling part by part. The frame was resprayed and the wheels rebuilt with new clincher rims and Panaracer tires. The new wheels with the reconditioned Campagnolo hubs just ride amazing!

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“Sabes, esta minha área ainda é muito conservadora e eles não estavam a contar ver-me a entrar na reunião com uma bicicleta debaixo do braço.”

No mesmo dia em que entrevistámos o Mike, sentados no Mafalda’s, o Pedro estava na mesa ao lado. Esta coincidência fez com que a entrevista de um acabasse por também ser o prelúdio da do outro. O episódio, cada vez mais normal nas nossas cidades, mas ainda contado com uma gargalhada, foi o prato de entrada de uma conversa que acabámos por ter uns dias mais tarde no terraço do Lexo Coworking em Matosinhos, a casa onde o Pedro tem o seu escritório. Curiosamente, falámos muito de muitas coisas e pouco sobre bicicletas, se calhar porque estas são um já um aspecto banal dos nossos quotidianos pessoais.

“You know, I work in finance and this is still a very conservative world. They just weren’t expecting me carrying a bicycle to the meeting room.”

This episode, told with a big laugh at lunch, was a cheerful introduction to a conversation we had few days later at the Lexo Coworking, a cosy townhouse in Matosinhos where his office is located. We talked mostly of things not related with cycling because we know each other quite well and know exactly why we both use a bicycle almost every single day.

O Pedro, consultor financeiro independente, com quarenta e um anos e quatro filhos no cadastro, é o quarto entrevistado na nossa série “A Brompton Week”. É já um velho conhecido nosso, cliente da Velo Culture desde a primeira hora e, mais recentemente, o responsável por nos manter a “escrita” em dia. A história do Pedro tem muitos paralelismos com a nossa própria história e por isso a conversa fluiu de uma forma muito especial.

O Pedro nasceu na Nazaré e chegou ao Porto com dezoito anos, vindo de Santarém, para estudar Gestão. Ainda estava a estudar quando foi convidado para ir trabalhar para um banco holandês, onde o seu primeiro chefe lhe transmitiu uma das lições mais importantes da sua vida.

“Uma cabeça a mil não rende e é necessário saber gerir o tempo e tratarmos de nós próprios. Se trabalharmos das nove às cinco e formos eficientes, conseguimos ter uma segunda vida afastada do trabalho. Nesta área é fácil andar numa roda viva e devemos a nós próprios fazer um esforço para abrandar.”

Estava o mote dado para a conversa, que andou à volta de uma certa noção de equilíbrio.

Pedro, the fourth participant in our “A Brompton Week” experience, is a 41 years old with four children in the record. He’s a Velo Culture’s first hour customer and runs the small business now responsible for our book keeping. His history has many similarities with our own and, probably, that’s why our interview was so fluid. Pedro was raised in Santarém, a city not far from Nazaré, the surfing town a bit North from Lisbon where he was born. He was 18 when settled in Porto for a business management degree. Pedro was still an undergraduate when a Dutch bank invited him to join its ranks, a place where he learned one of the most important lessons of his life. His first boss, still a good friend, once told him that having one’s own time is vital. If you’re so busy that you can’t manage to have this time for yourself, you’re not being productive.

“We work from 8 to 5 and, if we manage to be productive, we can have another life away from work. In finance it’s very easy to have a very intense routine and this effort is important to keep our mental health”.

Ao fim de algum tempo, saiu do banco para assumir a direcção financeira de uma empresa familiar, de onde saiu ao fim de uma década para fazer várias especializações. Com as energias renovadas, ingressou numa empresa têxtil, para sair passados três meses, porque no fundo, nessa altura já sabia que queria ser o dono do seu tempo. Estávamos em 2012 e a partir desse momento deixou de sentir a necessidade de ter férias. Somos do mesmo vintage e as semelhanças não estão só no ano de abertura dos nossos negócios.

“Aprendi ao longo da vida que trabalhar para a qualidade não é o mesmo que trabalhar para o volume. A maioria dos meus colegas trabalha para o volume, eu estou focado na qualidade e em clientes que percebem a importância de um serviço com valor acrescentado, que assumem esta área como sendo verdadeiramente estratégica”.

Some few years after starting at the bank, Pedro left to become the CFO of a family-owned industrial enterprise. After a decade at this company, he decided to go back to school for a series of highly technical training courses, after which he started a new job at a textile company. By then he already knew that his future was being the master of his own time, and just three months after joining the company he left and kicked-off the the third part of his career as a free-lance consultant. It was 2012 and he never felt the need for a vacation again. As entrepreneurs and persons, we are from the same vintage and our similarities are much more than the year we both set up shop.

“In my career, I learned that working for quality is not the same as working for volume. Most of my colleagues work for the volume, but I work the other way around. My customers are willing to pay for a added value service, they understand that this is a truly strategical area.”

Hoje, a humilde bicicleta faz parte do quotidiano do Pedro. Chegou com a mudança que começou a ser construída em 2012, altura também em que também começou a praticar Yoga, um dos seus rituais sagrados.

“A minha relação com a vida tem vindo a evoluir. O trabalho físico, por exemplo, pode ter um efeito positivo, imediato e puro, mas, também pode ter um outro mais complexo e duradouro e que pode ser usado a meu favor no dia-a-dia. Uma espécie de estado de espírito. Para além do desporto, há várias outras coisas que são factores de equilíbrio, que podem ajudar a perpetuar esta sensação.

Entrei recentemente nos quarenta. A vida devia mesmo começar agora, tu também sabes isso! Há muita coisa que nesta altura ponho em perspectiva e, de certa forma, estou mais focado naquilo que eu acho que é essencial. Vivo num País bom, tenho um trabalho que me realiza, tempo para praticar desporto e dedicar-me à minha família. Até os hábitos alimentares mudei. Os vegetais e as frutas chegam-nos directamente do produtor. Todos os dias procuro almoços leves e caseiros, pouca carne, ou quase nenhuma. É por isso que sempre que posso venho almoçar ao Mafalda’s, mas, de vez em quando, também quebro as regras. Por exemplo, há uma sexta-feira por mês que almoço num restaurante da Baixa com um grupo de amigos. Passamos lá a tarde toda a comer e beber. É quase como um ritual.”

The humble bicycle is part of Pedro’s daily day and arrived some few years ago with a change in his lifestyle. Yoga, one of his most sacred rituals, is also part of this process.

“The way I live is always evolving. For example, I like the pure and immediate impact of the physical activity, but, I’m also expecting a more complex and lasting positive effect that can help me to cope with my daily life. A certain state of mind. Besides sports, there is a growing set of other things that helps balancing life and to wind-down. These things can help me to be in that state in an almost permanent way. 

I’m in my early forties. Man, you know, life should only start now! There are too many things I nowadays put into perspective. I’m much more focused in what really matters for me and mu family. I happen to live in a very good country, I love what I do for a living and have plenty of time for me and my family. Food, for example, is a very important thing in life and the way I eat nowadays is much more discerning. I only buy fruits and vegetables from the farmer and I try to have healthy lunches everyday, like the one’s at Mafalda’s. But I also try to have the other side, though. From time to time I go for a full English, both literally and figuratively. Every month I take an afternoon off to have lunch with some good friends. We spend the afternoon eating and drinking and we’ve been doing this for ages now.” 

“Há uns anos  comecei a olhar para a bicicleta como um objecto. O lado estético das coisas fascina-me. Quando comprei a minha primeira bicicleta de cidade, vivia mais perto da Foz e já tinha começado a trabalhar aqui em Matosinhos. Percebi logo que pedalar neste trajecto era o mais lógico e tinha a matéria prima comigo, uma bicicleta boa e bonita. Foi só uma questão de começar.

Sabe muito bem perceber que estou a contribuir para uma mudança sustentável, pois não acredito que a tecnologia possa ser a salvação para o planeta, pelo contrário. É que está tudo descansado à espera que a tecnologia nos venha salvar, mas isso não vai acontecer. Dou comigo a pensar frequentemente nestas questões. Passei dez anos a trabalhar no sector agro-químico, área em que se vê como as coisas realmente são feitas. A mudança tem que começar em cada um de nós.

Mas não é só por isso que ando de bicicleta. É que no fundo, sou o tipo de pessoa que gosta do vento na cara.”

“Some few years ago, I started looking to the bicycle as an object because I like the aesthetics of a good bike. I’m touched by a well designed object and I bought my first commuter bike, a very good looking one. By that time I was living not far away from Matosinhos. It was a short and easy commute and I realized that riding a bike to work was the most rational thing to do. I never stopped again.

All this changing of gears for a more slow and sustainable pace is very important. Every one of us should be contributing much more. Technology is more and more advanced, but it will not save us. It’s the other way around. We are all very relaxed, waiting for the day the tech folks will sort the things out. That’s not possible and will not happen. I think a lot in my kids future and it has a strong influence in my way of life. I spent 10 years of my working life in the agrochemical sector and I know how things are made.”

Nesta altura começámos a ficar curiosos, a tentar perceber como era gerida a rotina de bicicleta, com a escola dos filhos, os clientes e um trajecto diário da Rotunda da Boavista para Matosinhos.

“Quando vim morar para a Nossa Senhora de Fátima, o trajecto diário duplicou. Para além da distância, o trânsito também agora é muito maior. Ainda assim, persisti. Agora faço dezasseis quilómetros por dia, oito para cada lado e apenas interrompo este ritual quando é a minha vez de levar as crianças à escola ou tenho que ir a clientes fora do Porto, alturas em que uso o carro.

Foi aqui que a Brompton fez a diferença, porque permitiu ter o melhor de três mundos. Posso andar de bicicleta e, quando necessário, dobrá-la para a levar dobrada no carro ou no Metro. Nesta semana com a Brompton usei o carro apenas o estritamente necessário, usei o Metro como elevador nos dias mais pesados, dobrei a bicicleta e caminhei com ela para não a deixar na rua em sítios mais complicados. Mal o Rui Moreira sabe que, nos meus dias de levar os miúdos, passei a usar a cidade dele como estacionamento para vir a pedalar de Brompton para Matosinhos!”

At this point we became a bit curious. How is he managing the daily routine with the four kids, all the meetings with clients and a not very short bicycle commute?

When I moved to a more central area, my commuting distance just doubled. I now have to commute 16 kilometres everyday, with a much more heavy traffic. Nevertheless, I persisted. As before, I only use the car when it’s my turn to drop the children at school or I have to visit clients outside Porto, but the Brompton made a big difference on these days. I carried the Brompton with me in the Metro, which works quite well as an elevator from the sea level to Boavista. I carried the Brompton in the car boot and I brought it inside when visiting more dodgy areas. Please don’t tell Porto’s Mayor I’m using his city as a parking when’s my turn to drop the kids at school!”

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A Brompton Week é uma experiência que estamos a fazer com alguns dos nossos clientes e amigos: passar uma semana com uma dos nossas Brompton de demonstração e depois contar como foi. Coisa simples e agradável.

The Brompton Week is an experience we are making with some of our customers and friends. They are spending a few days with one of these iconic bikes and will tell our readers how it was. Simple, fun and certainly life-changing.

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kirschner 3

Hoje foi dia de recebermos a primeira encomenda da Kirschner.

Os rapazes do Departamento de aprovisionamento já andavam há dias a perguntar pelos jerseys brasileiros. As dinamarquesas do Departamento de Marketing assistiam a tudo divertidas, mas sem disfarçarem a curiosidade.

 A Kirschner é uma micro marca brasileira baseada em Santa Catarina. Os modelos que oferecem são uma homenagem à geografia do país, com especial destaque a aquela que faz as pernas doer, como os jerseys Campos (de Jordão, perto de São Paulo) ou Santa Catarina (com alusão às serras do Rastro e Dona Francisca).

Podem ver os modelos aqui e conhecer melhor a marca aqui.

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